A frustração de receitas e a perspectiva de despesa maior do que a projetada há dois meses com seguro-desemprego devem fazer o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) fechar o ano com déficit nominal de R$ 2,4 bilhões.

A previsão anterior era de resultado negativo de R$ 1,8 bilhão. A estimativa considera manutenção do aporte R$ 6,7 bilhões do Tesouro. O resultado nominal é a diferença entre as receitas e obrigações como pagamento de abono salarial, seguro-desemprego e repasses ao BNDES. Em 2014, houve superávit de R$ 851,2 milhões. A previsão do resultado do FAT deste ano foi revisada para considerar os novos parâmetros usados pela equipe econômica, como a projeção de retração de 1,5% da economia brasileira e IPCA de 9%. Com o cenário mais negativo, as receitas do fundo devem cair de forma mais expressiva que as obrigações totais. Enquanto as receitas devem recuar 8,10%, as despesas devem cair 3,5%. As receitas sofrem o impacto da desaceleração da economia e de menos recursos do Tesouro para ajudar a custear o seguro-desemprego e abono salarial. O repasse do Tesouro deve cair de R$ 13,8 bilhões em 2014 para R$ 6,7 bilhões neste ano. As despesas com seguro-desemprego somaram R$ 19,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 29,87% em relação a igual período de 2014, segundo demonstrativo que consta do balanço financeiro do terceiro bimestre do FAT. Os gastos com abono salarial atingiram R$ 552 milhões. Mesmo com as medidas aprovadas para restringir o acesso ao seguro-desemprego e abono salarial, a previsão da equipe econômica é que essa despesa atinja R$ 45,8 bilhões no fim do ano. Em 2014, esses desembolsos somaram R$ 54,4 bilhões.

Fonte: Valor Econômico