Motor da economia na última década, o consumo das famílias caiu pelo terceiro trimestre seguido neste ano. É a maior sequência desde a virada de 1997 para 1998, quando as crises da Ásia e da Rússia levaram a uma alta dos juros (Selic) a 38% ao ano.

 

Com a piora no mercado de trabalho, inflação em alta e o crédito restrito, a queda foi de 1,5% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, o maior impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto) no período.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, essa baixa se mostrou ainda mais intensa, de 4,5%, a pior da série histórica recente da pesquisa do IBGE, iniciada em 1996.

Na última década, o crescimento da economia foi impulsionado pelo consumo, efeito da ascensão social, programas de transferência de renda e ampliação da oferta de crédito no país.

Com dívidas e o bolso afetado, porém, os brasileiros estão agora cortando supérfluos e gastando menos em bens e serviços. É a defesa agora possível contra esse período de incerteza.

“Os brasileiros consumiram demais até 2013 com incentivos do governo e o pleno emprego. O que estamos vendo é um ajuste desse quadro”, disse Igor Velecico, economista do Bradesco.

As incertezas, claro, afetaram a segurança do consumidor. Pesquisa da FGV mostra que o índice de confiança do consumidor caiu pelo quarto mês consecutivo em outubro deste ano e atingiu o menor patamar em uma década.

Responsável por 62% da economia, o gasto das famílias contribuiu assim mais para a queda do PIB do que os investimentos, que recuaram 4% no terceiro trimestre.

Com o corte de gastos, o PIB dos serviços também foi afetado. O setor –que engloba áreas como financeiro, educação, saúde e cabeleireiros– teve queda de 1% na passagem do segundo para o terceiro trimestre.

Essa queda foi resultado da baixa do comércio varejista e atacadista (2,4%), do transporte, armazenagem e correio (1,5%) e de outros serviços (1,8%). Fábio Bentes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio), teme agora que o comércio tenha ao fim do ano o seu pior desempenho desde 1948.

“Para que tenhamos o pior ano da história do comércio desde 1948, o PIB do setor precisa cair apenas mais do que 2% nos três meses finais do ano”, disse o economista.

Para Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, somente com a recuperação da confiança de consumidores e empresários o crescimento econômico será restaurado.

“O provável é que isso não aconteça pelo menos até o fim do primeiro semestre do ano que vem”, afirmou a economista. 

 

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