É a primeira vez desde 1992 que há redução no número de empregos com carteira assinada num mês de abril. Indústria –de alimentos e bebidas, principalmente– foi o segmento que mais sofreu corte de vagas

Quase 98 mil empregos com carteira assinada foram cortados no país em abril. É o pior resultado para o mês em mais de duas décadas, informou o Ministério do Trabalho e Emprego na sexta-feira (22).

A última vez em que houve retração no mercado de trabalho formal em abril foi em 1992, de acordo com a série histórica divulgada pelo governo. Mesmo assim, o corte na ocasião foi menor, de 63,2 mil empregos com carteira assinada.

“A redução de vagas veio acima do esperado e resulta numa visão pior para o PIB [Produto Interno Bruto] neste ano. Menos emprego significa menos renda e, consequentemente, menos consumo”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Segundo ele, o dado sinaliza, contudo, que a inflação no ano que vem pode cair, como deseja o governo.

O mercado projeta que a economia brasileira terá retração de 1,2% em 2015. Já a inflação terminará o ano em 8,3%, segundo último relatório Focus, divulgado pelo BC.

INDÚSTRIA

Em abril, a indústria de transformação foi a que mais contribuiu para a redução do estoque nacional de empregos. Foram quase 54 mil postos extintos no mês passado.

Dos 12 segmentos industriais monitorados, 10 reduziram o número de empregos. A maior diminuição ocorreu na indústria de alimentos e bebidas, onde 13,4 mil vagas foram ceifadas.

A produção da indústria brasileira vem caindo diante da desaceleração da economia e da dificuldade das empresas em manter o nível de exportações –até abril houve redução de 11% nos embarques de bens manufaturados ao exterior.

No acumulado dos últimos 12 meses até março deste ano, houve queda de 4,7% na produção industrial, segundo dados do IBGE.

Uma redução tão alta no ritmo de atividade não ocorria desde janeiro de 2010.

Mas o setor industrial não foi o único a enxugar sua força de trabalho. Houve queda no estoque de empregos dos setores extrativo mineral (-823 postos), de serviços industriais de utilidade pública -92), construção civil (-23.048), comércio (-20.882), serviços (-7.530) e administração pública (-73).

Houve aumento das vagas formais somente no setor agrícola, onde 8.470 empregos foram criados.

A região Nordeste foi a que mais sofreu, com 44 mil empregos cortados.

Em 2010, início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o país registrara recorde de geração de vagas em abril: 305,1 mil novos postos.

De lá para cá, porém, o número de empregos criados no mês só fez cair.

Até o momento, o número de demissões supera o de contratações no ano.

Somente em março houve saldo positivo. No total, foram menos 137 mil vagas, pior resultado desde pelo menos 2002 –o governo não divulgou dados anteriores.

Fonte: Folha de S.Paulo