Após o duro discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em São Paulo, na semana passada, as projeções do mercado financeiro para a taxa básica de juros subiram ainda mais.
A expectativa agora é que a Selic encerre o ano que vem em 14,63% ao ano – o que demonstra uma divisão das projeções de 14,50% e 14,75% ao ano. A nova estimativa é bem mais alta do que a vista na semana passada, de 14,25% aa, que é o patamar atual dos juros domésticos.

Estas expectativas dos economistas constam no Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 14, pelo Banco Central. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o colegiado manteve a Selic inalterada, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pp). Um próximo encontro está marcado para o dia 20 de janeiro.

O foco do Banco Central para a meta de inflação é o ano de 2017, cujas projeções na Focus são atualizadas a partir das 9h. Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 também disparou após a fala de Tombini, saindo de 13,00% aa onde se encontrava há quatro semanas, para 13,63% AA.

IGP-DI

As previsões para o IGP-DI de 2015, que tinham passado da marca de 11% no Relatório Focus da semana passada, voltaram a cair no documento divulgado nesta segunda-feira. A mediana para o indicador deste ano recuou de 11,04% para 10,99% – um mês atrás estava em 10,54%. No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana subiu de 10,80% para 10,81%, bem acima da expectativa apresentada um mês atrás, que era 10,26%.

Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus para o IGP-DI saiu de 6,17% para 6,14% – quatro semanas atrás, estava em 6,00%. Em relação ao IGP-M, o ponto central da pesquisa avançou de 6,43% para 6,48% – quatro edições anteriores estava em 6,19%.

A estimativa para o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, aumentou de 10,77% para 10,85% de uma semana para outra para o horizonte de 2015 – um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 10,26%. Para 2016, no entanto, a expectativa foi mantida em 5,27% de uma semana para outra – estava em 5,12% um mês atrás.