Lula: a trajetória de um vencedor

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Updated: novembro 1, 2022

Pela terceira vez, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será presidente da República (Getúlio Vargas ocupou este cargo duas vezes por meio do voto. De 1930/1945 e 1950/1954. Quando ocupou a presidência em 1930 foi através de um golpe de estado). Lula obteve 60.309.929 votos, totalizando 50,9% dos votos válidos.

Eleito em 2002 e reeleito 2006, ficou no comando do governo brasileiro até 2010, após colocar em seu lugar a então ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Pode-se dizer que a trajetória de Lula é a de alguém que venceu diversas dificuldades. Aos sete anos de idade saiu da então cidade de Caetés, em 1952, que na época era parte da cidade de Garanhuns, em Pernambuco.

De família pobre, Dona Lindu, sua mãe e o restante da família foram morar nos fundos de bar no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo. Aos 22 anos, em 1962, formou-se torneiro mecânico num curso do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).  Quatro anos depois entrou nas Indústrias Villares, em São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Curiosidade: o patrão de Lula, Luiz Dumont Villares, era sobrinho do inventor do avião, Alberto Santos Dumont, e responsável por fabricar os elevadores Atlas.

 

Ditadura: Em 1975, incentivado pela esposa Marisa Letícia (1950/2017), que Lula carinhosamente a chamava de “Galega”, passou a militar no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e tempos depois chegou à presidência. Dali, lançou as greves de operários, que iriam sacudir a ditadura militar (1964-1985). Junto com demais sindicalistas, intelectuais e militantes da esquerda católica, participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) em 1980, cujo logotipo da estrela do partido foi criação do jornalista de imprensa sindical Júlio de Grammont.

 Em 1982 disputou o governo de SP, ficando em quarto lugar. Quatro anos depois elegeu-se deputado federal, com votação recorde, para participar da Assembleia Nacional Constituinte em 1988. No ano seguinte candidatou-se, pela primeira vez, a presidente da República, mas perdeu no segundo turno para Fernando Collor de Mello. Em 1994 enfrenta o ex-ministro FHC, durante o governo Itamar Franco, vice- de Fernando Collor de Mello, que assumiu o cargo após o impeachment de Collor. Lula Em 1998 disputa pela terceira vez o comando do Brasil, mas perde para o presidente FHC, em segundo mandato.

Em 2002, Lula escolhe o empresário do ramo têxtil, José Alencar, aproveitando o fracasso do governo Fernando Henrique Cardoso. Com o slogan “a esperança contra o medo” e com forte apelo ao social, elegeu-se. Para acalmar o mercado financeiro, escolheu o banqueiro internacional Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Em 2006 ganha outra eleição e permanece no poder até 2010, quando passa a faixa para sua ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reeleita em 2014, mas sacada do poder por um impeachment, quando foi sacaneada pelo seu vice, Michel Temer (na época do PMDB).

 

Programa de governo propõe fim da Paridade internacional de preços da Petrobras

De volta ao comando do País, a partir de 1º de janeiro de 2023, o futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende revogação da lei do teto de gastos e discussão sobre a legislação trabalhista, revogando marcos regressivos da atual legislação aprovada na gestão Michel Temer, vice de Dilma Rousseff. Retomada de investimentos governamentais em infraestrutura e reindustrialização nacional, reforma tributária com simplificação de tributos e modelo progressivo. Propõe o fim da política da Paridade Internacional de preços da Petrobras (PPI).

No Meio Ambiente, o novo governo Lula acena com a sustentabilidade social, ambiental, econômica e com o enfrentamento das mudanças climáticas. Sugere a mudança no padrão de consumo de energia, construção de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, avanço da transição ecológica e energética. Proteção da Amazônia e combate a crimes ambientais.

 

Assistência: Aposta na geração de emprego e renda para os mais pobres, em programas como renovação e ampliação do Bolsa Família, também cita a volta de amplo programa de acesso à moradia. O futuro governo Lula pretende colocar em prática nova política sobre as drogas no Brasil, focada na redução de riscos, prevenção, tratamento e assistência ao usuário. Aposta na desarticulação das organizações criminosas ao fortalecer investigação e inteligência da Polícia. Propõe criar o Sistema Único de Segurança Pública, modernizando o sistema de segurança pública.

No campo da Saúde, o plano petista prevê fortalecimento do SUS “público” e “universal”, aprimorando a gestão e valorização e formação de profissionais de saúde, além de retomar a política como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, como a reconstrução e fomento ao Complexo Econômico Industrial da Saúde.

 

De 2003 a 2010, Brasil teve intenso crescimento

A marca do governo Lula de 2003 a 2010 foi a de intenso crescimento econômico do Brasil. Investiu muito na indústria nacional, principalmente nas áreas ligadas à extração de petróleo, com a construção de plataformas em estaleiros brasileiros. Em 2008, o País quitou de forma antecipada uma dívida de US$ 15 bilhões (pelo câmbio atual equivalente a R$ 75 bilhões) com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ou seja, a economia brasileira estava tão bem que não dependia mais de empréstimos externos para continuar crescendo. Essa ação proporcionou economia de US$ 900 bilhões (atualmente R$ 45 bilhões) por ano. Por causa do forte combate à pobreza, numa reunião do G20 (reúne as economias mais fortes do mundo), em 2009 o então presidente americano Barack Obama chamou Lula, numa reunião, de “o cara”.  O país teve boom das commodities, avanço de políticas de crédito, aumento do consumo.

Instituiu valorização do salário mínimo, o ProUni (concessão de bolsas universitárias a jovens carentes), privatizou estradas federais, lançou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), criou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

 

 

Erros cometidos pela gestão Bolsonaro

A gestão do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu diversos erros nos seus quatro anos de governo. O principal deles foi o fracasso na proteção à vida da população durante a pandemia de covid-19 em 2020, quando o Brasil começou a bater recorde em número oficiais de vítimas do coronavírus num período de 24 horas.

Das promessas econômicas, o atual presidente apenas piorou a reforma da Previdência. Não saiu do papel as reformas estruturantes. Em 2021, a inflação disparou. O preço do combustível começou a subir muito, com o custo médio do litro da gasolina chegando a R$ 6,076 e o etanol batendo na casa dos R$ 4,99. O PIB (Produto Interno Bruto) caiu 3,3% em 2020.

A fila de desempregados chegou a atingir 14, 4 milhões. Um dos delírios foi aprovar a venda da Embraer para a norte-americana Boeing. Felizmente o negócio acabou desfeito, e a empresa brasileira continuou a bater recorde na produção de aeronaves. O meio ambiente virou saco de pancada na atual gestão do governo, com madeireiros, grileiros de terras e garimpeiros provocando forte estrago na região amazônica, com poluição de rios e derrubada de árvores.

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