Dados da Pesquisa Mensal de Emprego foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira

A taxa de desemprego brasileira ficou em 7,5% em novembro, informou o IBGE nesta quinta-feira. É a maior taxa para o mês desde 2008, quando ficou em 7,6%. O dado faz parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que engloba seis regiões metropolitanas do país (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre). No mês anterior o desemprego havia ficado em 7,9% e, em novembro do ano passado, em 4,8%. O aumento na comparação anual reflete a piora no mercado de trabalho, impactado pelo ambiente recessivo na economia.

Segundo o IBGE, a taxa ficou estável na passagem entre outubro e novembro, mas já aponta tendência de queda. Este é o período em que começa a contratação de trabalhadores temporários para o período de Natal, o que contribui para reduzir o desemprego.

– A taxa ficou estável em relação a outubro, mas já mostra tendência de queda, o que é histórico para esse período. De modo geral, em novembro a taxa cai ou fica estável com relação ao mês anterior. Já o aumento na comparação anual foi motivado pelo crescimento do grupo de desempregados e queda no dos ocupados – explica Adriana Araújo Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A população desocupada foi estimada em 1,8 milhão de pessoas e não apresentou variação frente a outubro. Em relação a novembro de 2014, o quadro foi de elevação de 53,8 % ou mais 642 mil pessoas à procura de emprego. A população ocupada foi estimada em 22,5 milhões para o conjunto das seis regiões, ficando estável em relação a outubro e caindo em 3,7% (menos 858 mil pessoas) na comparação com novembro de 2014.

MAIOR QUEDA NA RENDA DESDE 2003

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 11,3 milhões – estável na comparação mensal e apresentou redução de 540 mil pessoas com carteira assinada no setor privado (- 4,6%), na comparação com novembro de 2014. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, em novembro, foi estimado em R$ 2.177,20. Este resultado foi 1,3% menor que o registrado em outubro (R$ 2.205,43) e 8,8% inferior ao obtido em outubro de 2014 (R$ 2.388,29). A queda de 8,8% no rendimento médio real habitual é a maior de toda a série desde dezembro de 2003, quando se registrou uma queda de 10,7% na comparação com dezembro do ano anterior.

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$ 49,7 bilhões em novembro de 2015, registrando queda de 0,9% em relação a outubro. Na comparação anual, esta estimativa caiu 12,2%. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 50,3 bilhões), estimada em outubro de 2015, variou –0,4 %, no mês, e –11,6 %, no ano.

Regionalmente, a análise mensal mostrou que a taxa de desocupação frente a outubro ficou estável em todas as seis regiões metropolitanas. Contudo, na comparação com novembro de 2014, houve crescimento da taxa em todas as regiões: em Recife, de 6,8% para 10,8% (4,0 ponto percentual); em Salvador a taxa passou de 9,6% para 12,3% (2,7 pp); em Belo Horizonte de 3,7% para 6,1% (2,4 pp); no Rio de Janeiro de 3,6% para 5,9% (2,3 pp); em São Paulo de 4,7% para 7,4% (2,7 pp) e em Porto Alegre, de 4,2% para 6,7% (2,5 pp).

Regionalmente, na comparação mensal, foi registrada estabilidade em todas as seis no nível de ocupação. Frente a novembro do ano anterior, houve retração em quase todas as regiões, com exceção do Rio de janeiro, onde o indicador permaneceu estável. A maior queda foi verificada em Salvador, 4,3 pp (de 53,2% para 48,9%) e a menor em Recife 2,0 pp (47,5% para 45,5%).

CAI DESEMPREGO ENTRE JOVENS

Na passagem entre outubro e novembro, houve queda no desemprego entre jovens de 18 a 24 anos. A taxa recuou de 19,5% em outubro para 18% em novembro. Ainda assim, no entanto, o desemprego teve forte expansão em um ano: em novembro de 2015, a taxa tinha sido de 11,3%.

– Houve redução da taxa de desemprego no grupo de 18 a 24 anos acompanhada por uma expansão da ocupação nesse mesmo grupamento. Ela não é muito elevada, são 27 mil pessoas a mais, na passagem de mês. É justamente porque esse grupo tem o perfil que se enquadra um pouco mais nesse trabalho temporário, cujas vagas surgem nesse período – explica Adriana.

Na comparação anual, rendimento médio cai em todas as regiões metropolitanas. Regionalmente, em relação a outubro, o rendimento ficou estável em Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Caiu 3% no Rio de Janeiro; 2,6%, em Belo Horizonte e 0,4% em Recife. Frente a novembro de 2014 o quadro foi de queda em todas as regiões, sendo a maior no Rio de Janeiro (-10%) e a menor em Porto Alegre (-6,3%).

Na classificação por grupamentos de atividade, para o total das seis regiões, a maior queda no rendimento médio real habitualmente recebido, tanto em relação a outubro de 2015 (-4,5%), quanto em relação a novembro de 2014 (-12,5%), foi na Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água. Na comparação mensal, somente o grupamento Educação, saúde, serviços sociais e administração pública registrou aumento (1,6%). No ano, todos os grupamentos tiveram queda, principalmente a Indústria (-12,5%), Serviços prestados às empresas (-12,1%) e Construção (-11,9%).

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, levantamento mais abrangente do IBGE, que contém informações de todas os estados brasileiros e do Distrito Federal, também mostram deterioração no mercado de trabalho. A taxa ficou em 8,9% no terceiro trimestre de 2015, acima dos 8,3% registrados no trimestre encerrado em junho. Essa é a maior taxa de desemprego para o período desde 2012, o início da série histórica da pesquisa. Em igual trimestre de 2014, a taxa de desemprego foi de 6,8%. E indica uma alta do desemprego em todas as regiões do país. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego já está praticamente em 20%, em 19,7%, e também é a maior da série.

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