A crise da construção civil está expressa nas pesquisas recentes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, do sindicato da construção (Secovi) e da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).

Ela é reforçada pelos sucessivos cortes no orçamento do programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, refletindo tanto a recessão econômica como a precariedade da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em que despontam os investimentos da Petrobrás e em moradias populares. Mas também decorre dos efeitos da corrupção na Petrobrás sobre as grandes empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. A construção civil é um segmento crucial da economia por sua importância para o emprego, para a renda, para a formação bruta de capital (ou seja, a taxa de investimento) e para a demanda de milhares de itens, da contratação de projetos e sua execução até para a entrega das obras, sejam elas estradas de ferro e refinarias ou edifícios e conjuntos populares.

O ânimo dos empresários do setor está em xeque. O Índice de Confiança da Construção (ICST, da FGV) chegou ao menor nível da série iniciada em 2010: 70,2 pontos, muito abaixo dos 100 pontos que separam a área positiva da negativa. Para 60% das 663 empresas consultadas, “a carteira de contratos está abaixo do normal”, disse a especialista Ana Maria Castelo, da FGV.

Cenário semelhante apareceu, há alguns dias, na Sondagem Indústria da Construção, da CNI, também no piso histórico da série. Carga tributária e juros elevados, inadimplência, falta de demanda e de capital de giro, além de burocracia excessiva foram os itens mais mencionados. E, segundo a Abramat, se 41,9% das empresas de materiais de construção consideram ruim o desempenho das vendas no curto prazo, 16,1% o julgam muito ruim. A situação econômica torna mais reticentes os potenciais compradores de imóveis.

Se a condução econômica tivesse sido mais prudente nos últimos anos, os programas de investimento em obras do PAC disporiam de recursos para manter a atividade nesse segmento essencial.

Com o recuo dos investimentos, em especial, públicos, o resultado é um crescimento acelerado do desemprego na construção civil, com o corte, no setor, de quase 134 mil trabalhadores com carteira assinada neste ano e de mais de 329 mil em 12 meses.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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