Historicamente, o 1º de maio tem relevante importância para a classe trabalhadora porque remonta a um período de muita luta e de uma grande manifestação com o objetivo de conquistar condições melhores de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária que, à época, chegava a 17 horas. Nessa manifestação realizada em 1886, houve confronto com policiais, o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores.

 

Transcorridos mais de 130 anos de muita luta e transformações relevantes na relação Capital X Trabalho, o movimento sindical se fortaleceu e vem se mantendo presente em importantes discussões econômicas e políticas, no intuito de que a retomada da economia atinja patamares justos para a geração de emprego e renda possibilitando assim um desenvolvimento social e econômico com equidade.

 

Em mais de 50 anos de atividades do nosso Sindicato surgiram importantes conquistas como redução da jornada de trabalho, negociação dos reajustes salariais, adicional noturno, banco de horas, horas extraordinárias, Participação de Lucros e/ou Resultados – PLR, cartão-alimentação, auxílio por filho excepcional, auxílio-creche, estabilidade para trabalhadores em vias de aposentadoria, descanso semanal, licença- maternidade e paternidade, licença adoção e aborto, menores aprendizes, união estável de pessoas do mesmo sexo, entre outras.

 

O movimento sindical exerce como ninguém o papel de intermediário no diálogo entre a classe trabalhadora e os empregadores. Os avanços nos Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho foram proporcionados justamente pelo empenho e preparo da liderança sindical e da ação e mobilização da classe trabalhadora. Sem a presença dos Sindicatos, os trabalhadores serão reféns dos empregadores nas negociações por salários, PLR, banco de horas, jornada de trabalho, rescisões e etc.

 

Assombrados pela pandemia e pelo impacto do novo coronavírus (Covid-19) na economia, com altos índices de desemprego e suspensão dos contratos de trabalho, a classe trabalhadora enfrenta uma crise sem precedentes. Empresas vêm se aproveitando do fatídico momento para demitir. Muitos trabalhadores estão tendo que se reinventar profissionalmente e o novo cenário exige maior empatia, solidariedade e união de toda a sociedade.

 

E pede também que todos nós tenhamos maior conscientização quanto aos cuidados de proteção e prevenção da doença, com higienização das mãos, uso de álcool em gel e de máscara, afinal, os números são assustadores.

 

No dia 29 de abril, foram registradas 5.466 mortes provocadas pela Covid-19 e 78.162 casos confirmados da doença em todo o país. O número de mortes no país superou o da China, que registrou 4.632 fatalidades pela Covid-19.  

 

E à margem do alerta dos profissionais da saúde, o presidente Jair Messias Bolsonaro engrossa o seu discurso com piadas e pouco caso, contribuindo para que a crise econômica somada à crise epidemiológica seja ainda mais cruel com a classe trabalhadora.

 

O comportamento do presidente não traz nenhuma surpresa e continua sendo o reflexo de tudo o que ele prometeu ainda durante a sua corrida eleitoral. Por que não dizer ainda pior, pois tem o seu discurso e atitude endossados pela sua base de Governo que corrobora com o descaso quanto ao futuro da população. De forma irresponsável e se valendo do cargo de presidente desta nação, o Sr. Jair Messias Bolsonaro, juntamente com a sua família e apoiadores, legislam com total desequilíbrio e desarranjo social. Os 12 anos de justiça social promovidos pelos Governos anteriores têm sido jogado por terra pelo presidente e seus asseclas.

 

As atuais e desastrosas medidas do Governo abrem uma lacuna da desesperança com a falta de perspectiva. Se não bastasse a crise econômica e financeira, tamanha é a insensatez da equipe do Governo que todos os direitos conquistados por meio de décadas de luta podem ser destituídos num piscar de olhos e somente para inflar ainda mais o ego do presidente e de seus filhos que insistem em se valer da pandemia para promover um pandemônio.

 

A sociedade civil organizada que sobreviver a esta avalanche de sucessivas crises na saúde, na economia e no âmbito social terá uma grande tarefa pela frente.

E essa tarefa só será transposta positivamente se nos unirmos. Somente a nação unida poderá fortalecer e retomar a nossa economia e a sobriedade deste País.

 

O ano de 2020 segue desafiador, mas, mesmo tendo a nossa estrutura sindical descaracterizada, ainda seguimos confiantes e seguimos empunhando a nossa bandeira de forma aguerrida e por dias melhores e com a manutenção dos direitos assegurados por décadas de luta e de muito trabalho.

 

Na impossibilidade de promover aglomerações devido à pandemia do coronavírus (Covid-19), a nossa programação anual em comemoração ao Mês do Trabalhador, que inclui a tradicional Festa no Clube de Campo e Festival de Futsal, foi adiada e deverá acontecer ainda no segundo semestre.

 

A diretoria do SindiQuímicos de Guarulhos e Região parabeniza a todos os trabalhadores e trabalhadoras pelo seu dia e que este ano e esse momento de reflexão sobre o futuro abra caminhos de esperança e ainda mais equidade social.