Em 2025, a Fundação para o Remédio Popular (Furp) passou por uma profunda reestruturação. O governo do estado de São Paulo aprovou a extinção da entidade como fundação autônoma, incorporando suas atividades, ativos e funcionários ao Instituto Butantan. Com a mudança, a instituição passou a se chamar “Butantan Farma”. A promessa oficial era manter o quadro de funcionários e o portfólio de produção, com foco na inovação e diversificação de medicamentos.

No entanto, para quem acompanha a trajetória da FURP, o anúncio não foi uma surpresa — é a conclusão de um processo que vem sendo gestado há anos.

O presidente do SindiQuímicos Guarulhos, Silvan Oliveira, lembra que a criação da FURP cumpria um papel fundamental na política de acesso a medicamentos para a população mais pobre. Ele destaca ainda que, na mesma época, foram criadas as Farmácias Dose Certa, estrategicamente localizadas nas estações de Metrô e terminais de ônibus, garantindo remédios a preços acessíveis para quem mais precisava.

“Já na gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, teve início o sucateamento da FURP. Foi também na gestão de Alckmin que várias unidades da Farmácia Dose Certa, criadas em 2004 com 14 postos, foram fechadas. De acordo com o portal de serviços do estado de São Paulo, hoje são apenas 7 pontos de atendimento. O estrago só não foi maior porque os sindicatos se mobilizaram, junto com a sociedade organizada.”

Um desmonte em três atos
A extinção da Fundação para o Remédio Popular (FURP) é resultado de um processo que se estendeu ao longo dos últimos governos do estado de São Paulo:

Teve início durante a gestão do governador Geraldo Alckmin, com os primeiros passos rumo ao desmonte da fundação e o fechamento das farmácias populares.

A situação se agravou no governo de João Dória, com o avanço de medidas que comprometeram ainda mais a estrutura e a atuação da FURP.

O processo foi concretizado na atual gestão, sob o comando do governador Tarcísio de Freitas, consolidando o fim da fundação como entidade autônoma.

É preciso cobrar respostas
Diante desse cenário, é necessário trazer à memória esses lamentáveis acontecimentos e cobrar do governo federal e de seu vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin, que olhe com mais carinho para a FURP — e que não fique apenas em discursos.

É bom lembrar que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conhece profundamente a importância da FURP e o papel estratégico das unidades Dose Certa no acesso da população aos medicamentos. A pergunta que fica é: o que o governo federal fará, na prática, para reparar os danos desse desmonte?

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