Desenvolvimento que precisa chegar a quem produz e a quem depende do sus

A indústria farmacêutica brasileira vive um dos momentos mais promissores de sua história. Dados da IQVIA (empresa global de inteligência em saúde) compilados e divulgados pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) indicam que o setor deve crescer 12,1% em 2025 e 10,6% em 2026, consolidando o Brasil entre os dez maiores mercados farmacêuticos do mundo. Em 2023, a venda de medicamentos movimentou R$ 142,4 bilhões, alta de quase 17% sobre o ano anterior, e o varejo farmacêutico já ultrapassou a marca de R$ 220,9 bilhões em faturamento em 2024, segundo a IQVIA.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) constatou que, de janeiro a setembro de 2024, as indústrias farmacêuticas foram beneficiadas com mais de R$ 8.170 bilhões em renúncias fiscais.
A campeã de renúncias foi a Novamed (Manaus – AM) do Grupo NC, com R$ 618 milhões, seguida por gigantes como Novartis (R$ 540 milhões), Astrazeneca (R$ 529 milhões), Eurofarma (R$ 483 milhões), Sanofi (R$ 402 milhões).

Por trás desses números, há um conjunto de fatores que explicam tamanha pujança. O governo federal, por meio da política industrial “Nova Indústria Brasil” (NIB), lançada em janeiro de 2024 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), prevê investimentos de R$ 300 bilhões no setor industrial como um todo até 2026, com a meta de que 70% dos medicamentos e vacinas consumidos no país sejam produzidos nacionalmente – atualmente, esse índice é de 42%. O setor privado também está aquecido: segundo a InvestSP (agência de promoção de investimentos do estado de São Paulo), até 2026 estão previstos R$ 16 bilhões em investimentos, sendo R$ 7,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e R$ 8,5 bilhões em fábricas e equipamentos.

“De que adianta a indústria faturar bilhões e receber bilhões em incentivos públicos se quem está na linha de produção e nos laboratórios não vê essa riqueza refletida em seus contracheques e condições de trabalho?”

Outra questão é a pressão sobre o SUS. O mercado farmacêutico privado cresce, mas o sistema público de saúde segue sendo o principal comprador e garantidor de acesso da população. Qualquer movimento de precificação abusiva ou de judicialização da saúde impacta diretamente os cofres públicos e o direito da população ao acesso a medicamentos.

“Celebrar o crescimento da indústria farmacêutica é legítimo, mas é igualmente necessário cobrar que esse desenvolvimento se traduza em geração de empregos de qualidade, com negociação coletiva e pisos salariais dignos, já que os investimentos em novas fábricas (R$ 8,5 bilhões) precisam vir acompanhados de postos de trabalho decentes.”

Ampliação do acesso a medicamentos pela população, com preços justos e fortalecimento do SUS;
Participação dos trabalhadores nos frutos desse crescimento, por meio de salários e condições de trabalho compatíveis com a lucratividade do setor e com os bilhões em incentivos fiscais recebidos.

“O SindiQuímicos Guarulhos continuará acompanhando de perto a evolução desse setor estratégico, defendendo que o desenvolvimento econômico ande lado a lado com a justiça social e a soberania nacional.”

Related Images: