Estudo da Serasa mostra que eles representam 12,4% do total de devedores em junho

O Brasil tem 6,99 milhões de inadimplentes com 61 anos ou mais, impedidos de obter crédito, segundo levantamento da Serasa Experian.

São consumidores que não conseguiram pagar dívidas bancárias (financiamento de carros, imóveis e outros) ou contas de luz, água, telefonia e do varejo (lojas e redes).

O número de devedores idosos foi constatado em junho e representa 12,4% do total de inadimplentes inscritos no cadastro da Serasa, 56,4 milhões. É quase um terço da população com 61 anos ou mais (23,7 milhões) que vem sendo analisada em estudos da Serasa, como o do Mosaic Brasil, que segmentou e mapeou a sociedade em 11 grupos a partir de várias, fontes como o IBGE.

De maio para junho deste ano, 210 mil consumidores dessa faixa etária se tornaram inadimplentes, o que equivale dizer que 7.000 pessoas por dia não conseguiram quitar suas dívidas. Na comparação de junho com igual mês do ano passado, 610 mil idosos ingressaram na lista de devedores, com total de 54,1 milhões de inadimplentes.

“Muitos desses consumidores têm recorrido ao crédito consignado para ajudar ou manter a renda da família. Ou porque alguém da casa perdeu o emprego ou por causa da inflação maior”, diz Fernando Rosolem, gerente da Serasa. “Fazem o empréstimo, mas não conseguem se manter em dia com o pagamento. Essa faixa é uma das que mais sofre com a alta de preços de remédios, plano de saúde e alimentos”, diz.

Em julho, o governo adotou medidas, por exemplo, para evitar o endividamento na modalidade do empréstimo consignado, elevando de 30% para 35% o limite de comprometimento de renda para esse tipo de crédito.

A Serasa traçou o perfil da população com 61 anos ou mais (23,7 milhões), além de mapear a inadimplência nessa faixa. A maioria é de aposentados de classe média, que vivem junto às famílias e contribuem financeiramente com os gastos da casa.

Sabem administrar seu orçamento e são considerados conservadores na hora de buscar por crédito. Esse grupo, denominado “envelhecendo no século 21” –um dos 11 segmentos no Mosaic– tem 6,5 milhões de idosos.

O segundo maior, nessa faixa de idade, é o “experientes urbanos de vida confortável”, com 3,7 milhões de pessoas. Eles têm escolaridade mais alta e fizeram carreira em grandes empresas da área privada ou do setor público. Em seguida, são 2,9 milhões do grupo “massa trabalhadora urbana”, com renda e escolaridade menores e empregos menos qualificados.

Fonte: Folha de S. Paulo

Economia recua 1,9% no 2º tri com queda no consumo e no investimento

O PIB (Produto Interno Bruto), medida da produção de bens e serviços do país, confirmou nesta sexta-feira (28) o que famílias e empreendedores já perceberam em seu dia a dia: a economia brasileira está em recessão.

O PIB teve queda de 1,9% no segundo trimestre frente aos três primeiros meses do ano, e de 2,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, o valor total fica em R$ 1,428 trilhão.

Trata-se da segunda queda consecutiva do indicador, que recuou 0,7% no primeiro trimestre frente aos três meses anteriores —inicialmente, havia sido apontada uma queda bem menor, de 0,2%, mas o dado foi revisado. No acumulado do ano, a queda é de 2,1% frente ao mesmo período do ano passado.

O tombo é maior do que o esperado por economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que previam retração de 1,7% no PIB do trimestre comparado com o trimestre anterior e de 2,6% comparado com o mesmo trimestre de 2014.

PIB – Trimestre X trimestre imediatamente anterior, em %

Divulgada nesta segunda, a projeção de economistas consultados pelo Banco Central é de que o PIB encolha 2,06% neste ano.

A retração foi não apenas mais intensa, como também generalizada. Do lado da demanda, os investimentos encolheram 8,1%, assim como o consumo das famílias (-2,1%) frente ao trimestre anterior. Já o consumo do governo surpreendeu com alta de 0,7%.

Do lado da oferta, indústria teve queda de 4,3% e serviços, de 0,7% (veja mais abaixo).

A economia teve assim o pior segundo trimestre do PIB desde 1996, quando teve início a série histórica do IBGE. Considerando todos os trimestres, foi o pior resultado da economia brasileira desde o primeiro trimestre de 2009, quando o PIB brasileiro também recuou 1,9%, segundo os dados revisados.

RECESSÃO

Com o resultado divulgado pelo IBGE, a economia do país se enquadra na chamada “recessão técnica”, uma definição usada há décadas para definir duas quedas consecutivas do PIB.

Em outras palavras, houve empobrecimento geral no país: os empresários cortaram investimentos e as famílias estão consumindo ainda menos, efeito da piora do mercado de trabalho e redução da renda real. De quebra, o desgaste político do governo aumenta.

Um dado eloquente é que, a queda de 2,6% na comparação com o mesmo período de 2014 é a quinta taxa negativa consecutiva nesta comparação, a mais longa sequência da série histórica e bem abaixo da previsão de economistas consultados pela Bloomberg, de 2,1.%. No acumulado de quatro trimestres, o PIB cai 1,2%.

Para o Comitê de Ciclos Econômicos da FGV (Fundação Getulio Vargas), a recessão da economia brasileira se estende desde o segundo trimestre do ano passado, um dos ciclos mais longos da história recente.

“Recessão é, pela teoria econômica, período de retração generalizada da atividade econômica. E isso está acontecendo na economia brasileira desde o segundo trimestre de 2014”, diz Paulo Picchetti, pesquisador do Ibre/FGV.

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REVISÕES PARA BAIXO

Também foram divulgados nesta sexta-feira dados revisados do PIB desde o quatro trimestre de 2013, sempre na comparação com os três meses imediatamente anteriores, pela série com ajustes sazonal. O PIB para o ano fechado não foi revisto. Na maioria dos casos, as revisões foram para baixo.

Mudaram assim o PIB do quarto trimestre de 2013 (de zero para -0,2%), do segundo trimestre de 2014 (de -1,4% para -1,1%), do terceiro trimestre de 2014 (de 0,2% para 0,1%), do quatro trimestre de 2014 (de 0,3% para zero) e do primeiro trimestre deste ano (de -0,2% para -0,7%).

DEMANDA

O consumo das famílias e os investimentos —que compõem a principal parte do lado da demanda do PIB— recuaram ao mesmo tempo e de maneria mais intensa do que nos três primeiros meses do ano, aprofundando a crise econômica brasileira.

Um dos propulsores da economia nos últimos anos, o consumo das famílias teve queda de 2,1% de abril a junho deste ano na comparação ao três meses imediatamente anteriores. E encolheu 2,7% frente ao mesmo período do ano passado.

As famílias brasileiras reduziram o consumo pressionadas por uma combinação de fatores que afetou seu poder de compra: renda corroída pela inflação, crédito mais restrito e piora do mercado de trabalho, segundo especialistas.

Sem confiança sobre o futuro, os empresários seguem adiando decisões. Os investimentos em máquinas, equipamentos e na construção tombaram 8,1% frente ao primeiro trimestre deste ano. Essa queda foi de 11,9% na comparação ao mesmo período de 2014.

A surpresa ficou por conta do consumo do governo –incluindo União, Estados e municípios. Mesmo com o ajuste das contas, os gastos tiveram expansão de 0,7% frente ao primeiro trimestre. Na comparação ao mesmo período de 2014, a queda foi de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

PIB por setor

Com a menor demanda por bens e serviços, a oferta também precisou se ajustar à economia. Assim, agropecuária, indústria e serviços tiveram queda no segundo trimestre deste ano, frente aos três meses anteriores, de forma combinada.

O gigantesco setor de serviços, que responde por cerca de dois terços do PIB e engloba as mais variadas atividades, recuou 0,7% no segundo trimestre, na comparação ao primeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 1,4%.

O setor agropecuário, que havia surpreendido com um avanço de 4,7% nos três primeiros meses do ano, mudou de figura: queda de 2,7% frente ao primeiro trimestre e alta de 1,8% na comparação com o segundo trimestre de 2014.

Com estoques ainda altos e parque ocioso, a combalida indústria teve sua terceira queda trimestral consecutiva, de 4,3% frente aos três meses imediatamente anteriores. Na comparação ao mesmo trimestre de 2014, a queda foi de 5,2%, informou o IBGE.

Fonte: Valor Econômico