Antonio Silvan Oliviera fala sobre o atual momento social-político-econômico do Brasil

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Updated: junho 14, 2021

Em entrevista especial, o presidente do Sindicato dos Químicos de Guarulhos e Região – SindiQuímicos, da Confederação Nacional no Ramo Químico – CNTQ e 3º vice-presidente da Força Sindical São Paulo, Antonio Silvan Oliveira, falou sobre o encontro realizado no dia 10 de junho, ocasião em que os dirigentes sindicais de diversas categorias ligadas a Força Sindical receberam o vice-governador de São Paulo e secretário de governo, Rodrigo Garcia. Recém-filiado ao PSDB, o vice-governador anunciou no fim de maio que é pré-candidato ao Governo do Estado, uma vez que o governador João Dória pretende disputar a presidência da República.

Na pauta, entre outros assuntos, a garantia da saúde, dos empregos, dos direitos e da renda da classe trabalhadora e de toda a população, crise sanitária por conta do coronavírus e as consequências sociais e econômicas da pandemia. O encontro faz parte do ciclo de reuniões da entidade com os pré-candidatos ao governo de São Paulo para apresentar as reivindicações do movimento sindical.  Em sua participação no encontro, Silvan protestou contra as tentativas de fechamento da Furp (Veja histórico da empresa ao final da entrevista) e enfatizou a importância das suas instalações. “A Furp não perde em nada para os grandes laboratórios”.

 

Qual a avaliação do cenário político, econômico e social que estamos vivendo, e qual o papel da Força Sindical nos principais debates?

É importante observar que este é um momento pré-eleitoral e a Central Força Sindical, entidade da qual somos filiado, e sou membro da direção, tem demonstrado, em vários momentos, a preocupação com o desenvolvimento do país.

Têm sido recorrentes os debates em relação à desindustrialização do Brasil, em especial, em algumas regiões, que tem sofrido mais, estamos tendo alguns impactos. Não há como você considerar uma nação desenvolvida sem uma indústria forte. Esse é um jargão que a gente usa muito, mas é verdadeiro, porque os maiores valores agregados em termos de remuneração de mão de obra no mundo estão na indústria.

Seja na indústria da Transformação, da inovação, da criação, do bem durável, do bem renovável, a indústria é o pontapé no processo, aí vem o comércio e os serviços que são consequências da indústria.

A sociedade precisa de oportunidades de trabalho e suas demandas como moradia, lazer, transporte, saúde e educação.

 

Qual a importância da Furp para o Brasil?

Falar de Furp para nós é de suma importância, porque quem acompanha a nossa entidade sindical conhece a nossa luta na manutenção dos direitos e nos postos de trabalho, assim como da produção de medicamentos.  A Furp foi a cereja do bolo de nossa conversa, pois estamos falando de tecnologia, pesquisa e saúde.

A Furp é um órgão de controle de doenças e centro de reabilitação e pesquisa do câncer. Em sua justificativa, o Governo justifica que a demanda por esses medicamentos pode ser suprida pelos laboratórios farmacêuticos privados, mas não é bem assim, hoje com o incremento da tecnologia, as empresas se instalam e recebem uma série de vantagens fiscais, inclusive, como temos acompanhado, inclusive, na área de comércio, com lojas e mais lojas sendo abertas em todo o país, sendo que ele mantém uma dívida milionária com a previdência.

É a chamada manutenção e criação de empregos a qualquer custo, mas que traz ônus para as cidades. Para se ter uma ideia o Estado de São Paulo responde pela metade da dívida pública do país.

Voltando à Furp, preservar a empresa ativa na cidade é essencial. O desmonte da Furp começou com o Alckmin e agora o Doria está tentando concluir de forma desleal, e a desqualificando.  O Governo reduz a Furp a um laboratório farmacêutico ultrapassado, que fornece medicamentos comuns para o estado e que não fará nenhuma falta. Afinal, para Doria, a demanda por esses medicamentos pode ser suprida pelos laboratórios farmacêuticos privados.

Ao ser fechado, os seus bens móveis e imóveis das duas unidades – Guarulhos e Américo Brasiliense, no interior – seriam colocados à venda. Há rumores que a área em Guarulhos abrigaria um condomínio de casas.  Mas vender a indústria farmacêutica vai além dos bens móveis.  Senão vejamos: com toda esta pandemia e suas dificuldades, importante registrar a importância do desenvolvimento de pesquisa e ciência. A equipe técnica do Butantan enfrenta com coragem e qualificação esta política negacionista e tem vacinado o Brasil. Esta sem dúvida foi uma decisão acertada do Governo do Estado.

Importante salientar que o Butantan tem cumprido com maestria o calendário de vacinação em todo o país e não só o Estado de São Paulo. Aliás, se fosse só para atender somente o Estado de São Paulo, todos já estariam vacinados.

E a Furp entra neste cenário como uma empresa estratégica, pois esta tem uma excelente estrutura.

Diferente do que o governador apregoa, a Furp não está sucateada. É uma mentira. Esta fake news foi iniciada pela gestão Doria em uma política de atendimento ao setor privado de saúde e que tenta a qualquer momento desqualificar a empresa.

 

E como foi a conversa com o pré-candidato ao governador?

Fico feliz em anunciar que ouvi do Rodrigo Garcia, vice-governador e secretário do governo, o compromisso de que a Furp não será fechada. Ele disse ainda que estão estudando a integração da Furp e Butantan. A Furp, apesar de todas as mazelas em desqualificá-la e reduzi-la a nada, inclusive ao construir a unidade de Américo Braziliense e que sabemos, serviu apenas para atender a outros interesses.

A unidade da Furp produz medicamentos essenciais e tem toda a condição de iniciar a produção de medicamentos para o tratamento da Covid e quiçá dos sintomas pós-Covid.

O fechamento faz parte da política de estado mínimo, para os que podem pagar pelo serviço privado.  Se for extinta, o governo terá de comprar medicamentos da iniciativa privada. E as farmacêuticas privadas, que visam o lucro, não vão garantir o acesso pleno ao medicamento como é hoje.

 

Coincidentemente, recentemente, representantes da Codemgru, da sociedade civil e legislativo estiveram em visita à unidade da Furp em Guarulhos. Qual foi a avaliação dessas pessoas?

No dia 1º de junho, representantes do Conselho de Desenvolvimento Municipal de Guarulhos – Codemgru, da qual faço parte, representando a Força Sindical, estivemos na unidade fabril em Guarulhos. Na ocasião, a comitiva conheceu as instalações da indústria e conferiu o potencial de produção do complexo.  Importante salientar que o Codemgru visa ser um braço da sociedade para mostrar para o governo em atuação o que é preciso, necessário e prioritário a curto, médio e longo prazo.

O Codemgru é um instrumento de articulação que objetiva estreitar o relacionamento da sociedade civil organizada junto ao governo municipal. O órgão tem a finalidade de buscar subsídios para projetos que possibilitem a dinamização de políticas públicas além da gestão em andamento, afinal, algumas demandas podem levar dez, vinte ou cinquenta anos para serem concluídas e independente do tempo de governo.

E ao saberem da possibilidade de fechamento da Furp, o Professor Devanildo Damião, coordenador do Conselho, foi sensível e convocou a todos para uma visita. Lá, todos puderam constatar que, ao contrário das indicações dos negacionistas, a ciência precisa estar passo a passo com o desenvolvimento e investimento, e a Furp é uma base para saúde nacional com a produção de medicamentos importantes.

Fomos até a empresa e constatamos que a Furp dispõe de um parque industrial maravilhoso. Os visitantes ficaram indignados com a indicação de encerramento.

Não dá para aceitar que o governo disponha de equipamentos importantes por conta de uma vontade. Importante salientar que o João Dória não tem um plano de governo, nunca teve. Ele está atrás do poder a qualquer custo.

Infelizmente, desde a gestão do Geraldo Alckmin a Furp está sendo utilizada de forma arbitrária. Eles fecharam 50% das unidades das Farmácias Dose Certa.

Há alguns anos, em conversa com o então secretário de saúde, David Uip, ele nos disse que os prefeitos não querem a cestas de saúde e sim, os recursos. É inaceitável ficar calado diante de uma situação tão grave, onde quem perde é a sociedade. A fala do vice-governador só fortalece a nossa mobilização para que a Furp siga produzindo.

 

Como a sociedade e o trabalhador podem ajudar nesta mobilização em favor da Furp?

A sociedade tem uma força enorme e tem o poder de transformar, mudar, reorganizar, direcionar pelo voto. As redes sociais são ferramentas eficazes nesta mobilização. Em toda a rede, todos podem acessar o histórico da mobilização permanente dos trabalhadores e da sociedade em prol da Furp e o Sindicato está totalmente envolvido neste processo.

A Furp era uma empresa com 1.400 trabalhadores, atuando em três turnos, cinco a seis dias por semana, Hoje nós temos quase 800 trabalhadores, muitos afastados por conta da pandemia e tem diminuído a dinâmica de sua produção.

É preciso mobilizar a sociedade e ver também, se o atual prefeito da cidade quer de fato a Furp instalada em Guarulhos.

A Furp tem como dar uma grande contribuição de forma efetiva nesta pandemia e pode trabalhar 24 horas por dia.

Ressalto ainda, que as duas unidades da Furp estão sendo sucateadas por conta decisões erradas em sua administração em nível estadual. O Rodrigo anunciou que um novo superintendente está assumindo a empresa. Vamos acompanhar e torcer para que a empresa volte urgentemente a operar de forma integral.

 

Histórico da Furp e programa Dose Certa

Segundo a própria indústria farmacêutica estatal, que tem mais de 800 funcionários, a unidade tem 40 mil metros quadrados de área construída e seu portfólio incluem 38 medicamentos e também o Dispositivo Intrauterino para Contracepção (DIU). São antibióticos, antirretrovirais, anti-hipertensivos, dermatológicos, imunossupressores, diuréticos, medicamentos para transplantados, controle da diabetes, tratamento de transtornos mentais e tuberculose, entre outros. Todos de baixo custo são fornecidos para prefeituras, consórcio de municípios, secretarias de saúde municipais e estaduais, santas casas, hospitais, sindicatos e entidades filantrópicas.

Além disso, por meio do programa Dose Certa, a Furp fornece medicamentos para 550 municípios paulistas, sem intermediários, que distribuem gratuitamente à população pelas unidades básicas de saúde. Desde que foi implementado, em 1995, até maio de 2020, o Dose Certa já dispensou gratuitamente mais de 25 bilhões de frações unitárias de medicamentos em todo o estado.

No ano passado, a Furp foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na construção da unidade de Américo Brasiliense. Aprovado em novembro, o relatório recomendou que a Secretaria de Saúde rompesse parceria com a indústria de genéricos EMS, em vigor desde 2013. Os parlamentares concluíram que o acordo foi prejudicial à estatal, que tem prejuízo anual da ordem de R$ 56 milhões. Na época, Doria aproveitou o déficit para justificar sua intenção de fechar a fábrica.

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