Favorita para substituir Pazuello na Saúde, cardiologista é contra uso de cloroquina

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Updated: março 15, 2021

Com iminente saída de ministro, Ludhmila Hajjar é cotada para a pasta; Marcelo Queiroga aparece como outro possível nome

Com a iminente saída de Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde, dois nomes aparecem como cotados para assumir a pasta: a cardiologista do Incor-USP, Luhdmila Hajjar e o também cardiologista, Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 

Hajjar, que já tratou diversas personalidades do mundo político durante a pandemia, entre eles o próprio ministro Pazuello, é doutora em Anestesiologia e professora associada de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Em sua conta nas redes sociais, a médica se diz contrária ao uso da hidroxicloroquina para o tratamento precoce da covid-19. “Não há dados liderados por cientistas em estudos sérios para que a gente possa afirmar que encontramos um tratamento eficaz. O melhor tratamento é a prevenção”, explica.

Tanto Pazuello quanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazem intensa defesa do uso do medicamento indicado para tratamento de malária, como prevenção à covid-19. O uso da cloroquina para esse fim tem sido negado por diversas autoridades de saúde no mundo todo.

A possível saída de Pazuello se dá em um momento de pressão política por conta da má gestão do ministro e do governo federal no combate à covid-19. A demora em resolver problemas de logística e compra de vacinas, se soma ao negacionismo de Bolsonaro quanto à gravidade da doença e os métodos de prevenção, como o uso de máscara e o distanciamento social.

Na panela de pressão

A pressão crescente dos governadores por respostas do Ministério da Saúde ajudou a evidenciar as falhas da gestão do ministro militar. Nas últimas semanas, o governo tem sido requisitado sobre soluções para agilizar a compra de vacinas e os líderes dos estados e municípios estudaram até mesmo praticar medidas de isolamentos regionais, e até um lockdown nacional, na contramão do que defende o presidente Bolsonaro.

Pazuello é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura possível omissão do ministro na crise sanitária em Manaus, no início de janeiro deste ano. Caso seja efetivada a troca no Ministério, o militar perderia o foro especial e a tendência é que o caso seja redistribuído para instâncias inferiores.

O discurso do ex-presidente Lula, após a decisão do ministro do STF, Edson Fachin, que anulou os processos em que Lula fora condenado pelo ex-juiz Sergio Moro na 13ª vara federal de Curitiba, também pode ter sido um fator de influência na decisão.

Com Lula novamente elegivel, e horas após o petista defender o uso de máscaras e a vacinação, Bolsonaro e seus ministros, apareceram em evento no Palácio do Planalto, fazendo uso do acessório. Deputados do chamado Centrão, que apoiam Bolsonaro, decidiram intensificar a pressão sobre Pazuello.

 

À Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara, Arthur Lira disse que Hajjar é “unanimidade política” e “contará 100%” com sua colaboração.

 

Pró-vacina

A mudança de postura de Bolsonaro inclui a adoção de um discurso pró-vacina. O governo tem seu protagonismo na compra dos imunizantes ameaçado por iniciativas como a do Consórcio Nordeste, que anunciou a compra de 37 milhões de doses da vacina Sputnik V a um preço mais barato do que o obtido pelo Ministério da Saúde.

Em suas redes, tanto Hajjar quanto Marcelo Queiroga defendem a vacina e celebraram a 1ª dose aplicada contra a covid no Brasil. “Desejo que toda a população brasileira, em breve, possa sentir o que senti hoje: esperança de dias melhores, sem sofrimento e sem mortes”, escreveu Hajjar. 

Já Queiroga disse que a vacina representa “mais segurança para quem trabalha na linha de frente. Além disso, a cobertura vacinal ampla vai nos ajudar a conter a pandemia”.

 

Segundo apurações de veículos de comunicação, Hajjar já está em deslocamento para Brasília, onde deve se reunir com Bolsonaro.

Um terceiro nome cotado é do deputado do PP, do Rio de Janeiro, Luiz Antonio Teixeira Júnior, aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira. (BF)

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