Plano do governo Bolsonaro é ‘apequenar’ a Petrobras, alerta FUP

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Updated: janeiro 15, 2019
Nova gestão da estatal anuncia a retomada de “plano de desinvestimento”, com a venda de campos maduros, além da perspectiva de abertura do setor de refino no país para beneficiar empresas estrangeiras
 

Após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, derrubar na última sexta-feira (11) decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello que suspendia a venda de ativos da Petrobras, a estatal anunciou, em comunicado, que pretende “seguir o curso normal de seus negócios”, com a retomada de “novos projetos de desinvestimento”. Das cerca de 254 concessões em campos maduros (que possuem 25 anos ou mais de produção e/ou tem produção igual ou superior a 70% das reservas provadas) em terra e águas rasas, por exemplo, a estatal anunciou que pretende “desinvestir” – vendendo para a iniciativa privada – cerca de 70% desses ativos.

Para o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, a visão que o governo Bolsonaro tem para a Petrobras – com o economista Carlos Castello Branco no comando da estatal, e com a mais recentemente indicação do ex-comandante da Marinha Eduardo Bacellar Leal Ferreira para a presidir o conselho – “é de uma empresa pequena, sem relevância no cenário internacional, não integrada, escancarando as portas para o capital estrangeiro fazer o que bem entender”. Castello Branco também afirmou que é um “absurdo” a Petrobras manter o monopólio do refino dos combustíveis no país.

Em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, na Rádio Brasil Atual nessa segunda-feira (14), Rangel diz que o novo governo deve manter as mesmas diretrizes adotadas na gestão do ex-presidente Michel Temer, desde o golpe do impeachment, em 2016. “A Petrobras vai caminhar para vender as suas refinarias e campos, avançando no sentido de apequenar a nossa empresa para atender ao capital internacional.”

Além da venda de ativos, outra semelhança de Bolsonaro e Temer é a política de flutuação de preços dos combustíveis atrelado ao mercado internacional, que também deve ser mantida. Para Rangel, tal política tem sido responsável por garantir lucros elevados aos acionistas, repassando a elevação dos preços diretamente aos consumidores. Ele diz que a situação só não é mais crítica porque o preço do petróleo tem se estabilizado, com viés de baixa, mas as reduções não são sentidas pela população.

“Se isso virar, se o barril voltar a subir, vamos ter problemas. Mesmo assim, com sucessivas quedas realizadas pela Petrobras no preço dos derivados nas refinarias, o cidadão não sente na bomba, porque os donos dos pontos não abaixam os preços na mesma velocidade”, alerta Rangel.

O coordenador da FUP diz ainda que a insistência no discurso do suposto combate à corrupção na Petrobras serve justamente para camuflar os interesses na privatização de setores da estatal, em benefício de grupos econômicos estrangeiros. “É uma cortina de fumaça para tentar colocar no subconsciente das pessoas que o problema da empresa é a corrupção e que, para resolver, é preciso vender tudo.” (RBA)

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