Com ‘ex-Temer’ em seu governo, Doria fala em ‘nova política’ e mudanças no PSDB

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Updated: janeiro 1, 2019

Com uma equipe recheada de ex-integrantes do governo Temer, o governador paulista, João Doria (PSDB), tomou posse na manhã de hoje (1º) com discurso de “renovação” da política. “O recado das urnas foi claro: não há mais espaço para governos dos políticos. É preciso governar com os políticos, para o povo”, afirmou, em cerimônia na Assembleia Legislativa. Ele também confirmou apoio a medidas do governo Bolsonaro, como a reforma da Previdência.

Segundo o tucano, a “velha política, das mordomias, do cabide de empregos, d troca de favores, do desperdício do dinheiro público”, não é compatível com o “sentimento de mudança” que vem da população, que quer, acrescentou, eficiência e resultados. “O governo deve ser um parceiro do cidadão, um amigo que ajuda milhões de pessoas a irem além, a conquistarem mais, a abrir caminhos e horizontes.”

Para Doria, o melhor caminho para criar oportunidades é diminuir o papel do Estado, “reduzindo o governo para cuidar do que é essencial para as pessoas”. E reforçou: “Menos governo e mais Estado, menos estatais e menos privilégios, é mais segurança, mais saúde, mais oportunidades”. Em seguida, ressaltou o “talento individual” dos brasileiros e dos paulistas, que deve ser estimulado em sua “força empreendedora”.

Por isso, acrescentou o novo governador, ele foi “buscar os melhores nomes” para compor o governo. “Jornalistas e políticos têm chamado o nosso time de secretários estaduais de gabinete ministerial, tamanho o mérito e qualificação de cada um que aceitou o convite para colaborar com nosso estado”, discursou. Vários nomes vieram da gestão Temer, que encerrou o mandato com níveis recordes de reprovação.

Anunciando-se como governador de “todos os brasileiros de São Paulo, dos que votaram em mim e dos que não votaram”, Doria disse que fará um governo “para o povo”. E anunciou algumas medidas, como a entrega do primeiro Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar no interior, em Presidente Prudente, antes do carnaval. Falou também em implementar o controverso “Corujão da Saúde”, além de um programa de desestatização. Garantiu que irá “cuidar da despoluição do rio Pinheiros”.

Segundo Doria, seu salário será doado mensalmente e ele continuará morando na mesma casa. “O Palácio dos Bandeirantes será local de trabalho.” E adiantou que visitará mensalmente a Assembleia.

Com divergências internas no PSDB, ele afirmou ser a favor de uma “reestruturação” do partido. “Transformar não significa desrespeitar a história do PSDB, sobretudo a que foi escrita por Montoro, Fernando Henrique, Covas, Serra e Alckmin”, declarou, acrescentando que seu governo e a legenda não vão “virar as costas” para o país.

“Vamos apoiar as iniciativas do presidente Bolsonaro que resultem no progresso do Brasil. Vamos apoiar a reforma da Previdência e o pacto federativo. Nossos parlamentares federais estão engajados na redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e no projeto que põe fim à saidinha das prisões”, disse Doria. Ele afirmou ainda São Paulo “vai trabalhar junto com o presidente na atração de investimentos internacionais para o Brasil”.

Prometendo “justiça social”, Doria não fez menção a seus adversários de campanha. Disse apenas, já na fase final de discurso de quase meia hora, que “a política precisa trocar ideologia por trabalho”.

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