Caciques da base de Temer não conseguem reeleição para o Senado

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Updated: outubro 8, 2018
Principal nome derrotado, o atual presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB), tinha sua reeleição tão certa que já vinha negociando sua sucessão na nova legislatura. Ficou em terceiro lugar na disputa
 
Dentre os integrantes da base do governo de Michel Temer que tentaram se reeleger ou concorrer a uma vaga no Senado uma das principais surpresas nas eleições 2018 foi a derrota do atual presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira (MDB-CE). Oliveira ficou no terceiro lugar na disputa e o baixo número de votos que recebeu em relação ao esperado chamou a atenção pelo fato de que ele já vinha negociando com líderes do Senado como ficaria a sua sucessão na mesa diretora da Casa – e onde ele poderia se acomodar, quando deixasse a presidência.

Além disso, Oliveira sempre teve uma boa atuação nas eleições. Foi deputado federal três vezes, no período entre 1998 e 2006, e eleito senador em 2014. Como perderá a prerrogativa de foro privilegiado, terá transferidos para tramitação em primeira instância, no Ceará, os processos que o investigam entre os políticos citados na delação premiada feita por executivos da empresa Odebrecht, na Lava Jato.

Várias surpresas foram observadas no Senado, como as derrotas de outros 21 senadores que apoiam o atual governo durante as votações no Congresso e tentavam a reeleição. São estes Romero Jucá (MDB-RR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Edison Lobão (MDB-MA), Cristóvam Buarque (PPS-DF), Roberto Requião (MDB-PR), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Antônio Carlos Valadares (PSB), Roberto Requião (MDB-PR), Valdir Raupp (MDB-RO) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

Além de Eduardo Braga (MDB-AM), Vicentinho Alves (PR-TO), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Lúcia Vânia (PSB-GO), Wilder Morais (DEM-GO), Magno Malta (PR-ES), Waldemir Moka (MDB-MS), Benedito de Lira (PP-AL), Angela Portela (PDT-RR) e Paulo Bauer (PSDB-SC).

Também foram derrotados para o Senado o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB-PR), o governador de Goiás e ex-senador Marcone Perilo (PSDB-GO) e o ex-governador de Pernambuco e ex-ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-GO).

Surpreendeu, ainda, o resultado das pesquisas feitas na última semana, a derrota do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM-RJ), outro que também concorria a uma vaga no Senado, na próxima legislatura.

Jucá fora após 24 anos
Em Roraima, um dos estados brasileiros onde as eleições tiveram mais dificuldade para chegar ao final, devido às dificuldades de acesso às zonas eleitorais, em função da sua característica geográfica, o senador Romero Jucá, do MDB, ficou pela primeira vez fora do Congresso Nacional. Jucá vinha disputando voto as votos o resultado das urnas, com os candidatos Chico Rodrigues (PRB) e Mecias de Jesus (DEM), mas terminou perdendo e ficou em terceiro. O resultado só foi oficialmente confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faltando três minutos para a 1h da madrugada.

A derrota de Jucá chama a atenção porque ele foi o primeiro governador de Roraima, depois que deixou de ser território e foi transformado em estado brasileiro, em 1988.Ele está no seu terceiro mandato como senador, completando agora 24 anos de atuação parlamentar na Casa legislativa.

Jucá, além de um dos principais caciques do MDB, é conhecido por ter sido o autor da famosa frase que aparece em áudio gravado numa conversa dizendo que era importante tirar a então presidenta Dilma Rousseff do poder porque “é preciso estancar a sangria”. Em outro momento, ele disse, no mesmo áudio “a gente tira a Dilma e bota lá o Temer”.

O senador em fim de mandato é, hoje, líder do governo Temer no Congresso e ocupou os cargos de líder do então PMDB, presidente do PMDB e líder do governo nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Romero Jucá também é conhecido por se manifestar sobre denúncias apresentadas contra ele, inclusive no processo da Operação Lava Jato, com o argumento de que não se incomoda com investigações e denúncias. Costuma dizer que “investigação faz parte do jogo político”. Segundo ele, “enquanto processos contra políticos não são considerados transitados em julgado, não vê desgaste em políticos serem denunciados”. Com a derrota, os processos nos quais ele é réu e que estão em tramitação nos tribunais superiores, devido ao foro privilegiado, serão remetidos para a primeira instância.

Além da baixa performance de Jucá em Roraima, outras surpresas observadas na disputa este ano foram as derrotas dos atuais senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Cristóvam Buarque (PPS-DF), Roberto Requião (MDB-PR) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

Também foram derrotados para o Senado, entre os candidatos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB-PR), e o governador de Goiás e ex-senador Marconi Perilo (PSDB-GO).

 

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