Venda da Braskem pode levar à desindustrialização do setor químico

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Updated: agosto 2, 2018

Empresa pode ser vendida para a holandesa LyondellBasell, que se tornaria a maior petroquímica do mundo, monopolizando a produção de resinas plásticas no Brasil

 

 O Dieese alerta que a venda da Braskem para a transnacional holandesa LyondellBasell representa riscos para toda a cadeia petroquímica no Brasil, pois inviabiliza o planejamento estratégico de longo prazo para o setor com a saída da Petrobras. A estatal anunciou que deverá acompanhar a movimentação da Odebrecht, optando pela venda conjunta da sua parcela no negócio.

“Abrir mão de um setor tão estratégico e dinâmico pode aprofundar a desindustrialização no país, promover o fechamento de empresas e de postos de trabalho e, consequentemente, minar as possibilidades de construção de uma sociedade justa e igualitária”, diz o Dieese, em nota técnica na qual avalia o novo cenário que se redesenha para o setor petroquímico a partir da eventual desnacionalização da Braskem.

Os técnicos lembram que a empresa detém o monopólio da produção de resinas no Brasil – matéria-prima utilizada na produção dos mais diversos tipos de materiais plásticos – e que os eventuais novos proprietários acabarão ditando o preço desses insumos. Nesse aspecto, os prejuízos seriam não apenas para a indústria brasileira, mas também atingiriam o consumidor final, já que o plástico está presente em inúmeros produtos, desde roupas a eletrodomésticos.

A Braskem é hoje a sexta maior companhia do mundo no setor petroquímico. Além do Brasil, tem plantas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha. No Brasil, a companhia emprega cerca de 6 mil trabalhadores, com 2.500 só no polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. Confirmada a fusão, a LyondellBasell deve se tornar a maior produtora de resinas termoplásticas do mundo. A expectativa do mercado é que o negócio seja firmado em até dois meses.

“As decisões relativas ao setor petroquímico brasileiro não podem ser implementadas isoladamente, sem articulação com uma política de soberania nacional que promova efeitos positivos em toda a cadeia: da extração do petróleo até a produção do plástico (do poço ao plástico) e gere empregos decentes, contribuindo para a melhoria das condições – de vida e de trabalho – dos trabalhadores”, diz trecho da nota técnica.

O Dieese avalia também que o controle da Braskem pelo grupo holandês deve aumentar ainda mais o déficit da indústria química na balança comercial brasileira que, nos últimos 17 anos, enviou mais de US$ 186 bilhões ao exterior em remessas de lucros e dividendos. De acordo com dados do IBGE de 2016, a cadeia petroquímica brasileira representa cerca de 14,3% do valor bruto da produção industrial do país e emprega 664 mil trabalhadores nos diversos setores que a compõem.

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