Jovens entram cada vez mais cedo no tráfico de drogas

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Updated: agosto 2, 2018

Estudo com pessoas inseridas na rede de comércio ilegal de drogas observou aumento no número de ingressantes na atividade entre os 10 e 12 anos, de 6,5% dos entrevistados em 2006 para 13% em 2017.

O perfil dos jovens que se envolvem em alguma função no comércio ilegal de drogas é um fato conhecido, no entanto, o ingresso na rede do tráfico vem acontecendo cada vez mais cedo. A constatação é da pesquisa Novas Configurações das Redes Criminosas após a Implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), divulgada nessa terça-feira (31), pelo Observatório de Favelas, no Rio de Janeiro.

De acordo com a pesquisa, que envolveu 261 jovens e adultos inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo, a principal faixa etária em que os entrevistados afirmam ter entrado na atividade ilícita corresponde ao período entre 13 e 15 anos, com 54,4% das respostas. O estudo levanta ainda um dado preocupante: o aumento no número de pessoas que entrou para o tráfico entre 10 e 12 anos de idade. Esse percentual passou de 6,5% em 2006 para 13% em 2017.

O principal motivo citado para justificar a entrada no tráfico é a questão financeira, 62% alegam que queriam ajudar a família e outros 47%, ganhar muito dinheiro. A busca por adrenalina, a ligação com amigos e a dificuldade em conseguir um emprego também estão entre as razões mais citadas. O relatório acrescenta que 66,3% dos entrevistados tiveram experiência profissional anterior à entrada no tráfico, mas encontraram condições de trabalho precárias, o que tornou a opção pela atividade ilícita mais atraente.

“A gente registrou que existem momentos de saída (do tráfico), mas a grande pergunta é: por que ele volta?”, ressalta o pesquisador Rodrigo Nascimento. Ele verificou que, entre os jovens, 40% já saíram voluntariamente em algum momento do crime. Para Nascimento, o retorno ao tráfico acontece porque eles ainda encontram as “portas fechadas”. “De alguma maneira, não colocando a culpa especificamente nas instituições, mas há algo aí na relação com a escola e o mundo do trabalho que não está funcionando”, afirma.

O objetivo do relatório é oferecer subsídios para a construção de políticas públicas centradas na infância e adolescência que visem à superação da lógica da guerra às drogas e, assim, prevenir a entrada de jovens na atividade e dar oportunidade de reinserção para quem já está envolvido. (RBA)

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