A conta não é do trabalhador

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Updated: janeiro 12, 2018

Desafio. Esta é a palavra que resume toda a trajetória do movimento sindical durante o ano de 2017 e também o que moveu boa parcela da classe trabalhadora que vivenciou um assustador índice de desemprego no país e terá que conviver, sabe-se lá como, com os retrocessos embutidos na Reforma Trabalhista que começou a vigorar em 11 de novembro de 2017.

Em meio a esta destituição de direitos, fomos convocados a lutar e o desafio foi aceito.

O trabalho é incessante. A tarefa na área sindical requer grande mobilização dos trabalhadores e uma forte atuação em todas às frentes sociais, econômicas e políticas deste país, afinal, os trabalhadores merecem um ambiente de trabalho salutar e ter todos os seus direitos preservados.

Há muito trabalho a ser feito. Além da Reforma Trabalhista, que representa um retrocesso sem precedentes aos direitos trabalhistas e um ataque frontal às entidades sindicais, o fantasma da Reforma Previdenciária nos ronda e é sim uma ameaça ao trabalhador que vislumbra, e com direito, uma vida plena e feliz, após anos de dedicação ao trabalho. E não para por aí, as atuais medidas do governo vem causando efeitos colaterais com o empobrecimento da população, falta de emprego e arrecadação, o que reflete na saúde financeira dos Municípios, do Estado e até mesmo da União. Na medida em que há queda na arrecadação e o pouco que se consegue é utilizada de forma errada e muitas vezes alimenta a cadeia da corrupção, não há o que se deslumbrar de melhoria na vida das famílias brasileiras. Neste ritmo, o país caminha para o aumento da pobreza e aumento do crime organizado, pois onde há ausência do Estado abre-se uma lacuna para que este se apresente como uma alternativa.

É com tristeza que acompanhamos a desconstituição das riquezas naturais do país sendo fatiadas e negociadas para exploração e comercialização a troco de nada para este capital, e, mais uma vez, o conchavo político do governo deverá assegurar mais uma desconstituição dos direitos do cidadão brasileiro, inclusive, ceifando a oportunidade dos jovens, que vislumbravam uma população pujante e participativa, vive hoje sem nenhuma perspectiva.  

A sociedade civil organizada que sobreviver a est avalanche promovida pelo governo de Michel Temer, terá pela frente uma grande tarefa. E a estrutura sindical, que sempre trabalhou de forma organizacional ajudando a sociedade e os movimentos sociais a se fortalecerem, teve a sua condição essencial de luta descaracterizada. Este é o único país em que o único imposto que é facultativo é justamente a contribuição em benefício do fortalecimento da estrutura sindical, os demais são compulsórios, ninguém tem opção de não pagar e muitas vezes sem saber para quem reverte este valor. Porém, o custeio do fortalecimento da estrutura sindical que reverte diretamente na melhoria da qualidade de vida e na remuneração do trabalhador efetivamente passa a ser facultativo.  

Estamos longe de desanimar. O ano de 2018 segue desafiador e para isso vamos nos fortalecer e estreitar nossa atuação no corpo a corpo com os trabalhadores de fábrica, como temos feito ao longo do tempo, para discutir acordos que assegurem o direito e a manutenção do poder de compra dos salários, entre outros benefícios.

Não cedemos as ameaças do governo em tentar descaracterizar o movimento sindical.  Fomos para o enfrentamento e promovemos grandes mobilizações da categoria com encontros e assembleias em portas de fábricas. O sindicato exerce como ninguém o papel de intermediário no diálogo entre a classe trabalhadora e os empregadores. Os avanços nos acordos e Convenções Coletivas foram proporcionados justamente pela ação e mobilização dos trabalhadores. Sem a presença dos sindicatos, os trabalhadores serão reféns dos empregadores nas negociações por salários, PLR, banco de horas, jornada de trabalho, rescisões e etc.

Ao longo de décadas, o movimento sindical esteve presente em importantes discussões e composições econômicas e políticas com o intuito de que retomada da economia atinja patamares justos para a geração de emprego e renda e que possibilite um desenvolvimento social e econômico com equidade. E estamos confiantes que os trabalhadores ter esta percepção e seguir junto conosco.

E este nosso compromisso passa por todo este cenário político nacional que hoje vem sendo desenhado de forma atabalhoada e com trocas de favores e conchavos políticos, o que é ruim para o nosso país e para todos os trabalhadores. Em Guarulhos, também precisamos que a administração municipal e a classe política reafirmem seu compromisso de crescimento e trabalhe para que todos os ajustes sejam feitos de forma assertiva.

Guarulhos precisa assegurar a sua pujança econômica e social, com incentivos fiscais, mais empregos, educação e transporte de qualidade,  segurança, saneamento básico, infraestrutura, entre outros.

Se não bastassem todos os desafios econômicos e sociais, o ano de eleições para os poderes legislativo e executivo pede um maior comprometimento de toda a população para o voto consciente. Em meio aos escândalos de corrupção, o país não admite mais os desacertos atuais. A nossa classe política tem que ser comprometida com o povo e legislar de forma transparente e com clareza.

 Nossa ação sindical para este ano se pauta no diálogo, na mobilização e fortalecimento da classe trabalhadora. Juntos somos mais fortes e trabalhamos por nenhum direito a menos.

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