Salário atrasado motivou mais da metade das greves em 2016

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Updated: setembro 12, 2017

Segundo Dieese, 81% das paralisações foram para manter direitos

Salários atrasados e condições de trabalho ruins dominaram as reivindicações dos grevistas no ano passado. Foram mais de duas mil greves (2.093) tanto no setor privado quanto no público, a grande maioria (81%) considerada defensiva pelo Dieese, que realiza o levantamento. São greves cujo objetivo é apenas manter direitos, e não obter novas conquistas. E em 56% das greves, o atraso no pagamento de salários motivou movimento.

Segundo o sociólogo Rodrigo Linhares, técnico do Dieese, o aumento de terceirizados nas áreas de asseio e conservação, coleta de lixo e atendimento, provocou esse perfil no movimento. O número de greves se manteve no mesmo patamar, em torno de 2.000. Em 2013, último balanço do Departamento, foram 2.055 greves. O salto nas paralisações aconteceu naquele ano, quando manifestações com dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de todo o país. Até 2012, a média de greves era de 500 por ano.

O número de paralisações se manteve desde 2013, mas o perfil mudou. A crise fiscal foi outro indutor de greves defensivas:

— São greves contra atraso no pagamento de salário e décimo terceiro, por falta de depósito do FGTS e não quitação de verbas rescisórias. Esses trabalhadores terceirizados trazem essa pauta defensiva.

Nos anos anteriores, esse tipo de greve era menos frequente. O aumento do poder de barganha dos sindicatos com o pleno emprego até 2014 tornou essas reivindicações secundárias no movimento grevista, afirma Linhares.

— São categorias frágeis, que sofrem com a precariedade nas condições de trabalho, muita rotatividade e um descumprimento crônico dos direitos — afirma Linhares.

No setor privado, a situação ainda é pior: foram 86% das greves para manutenção ou por descumprimento de direitos. E 52,5% das paralisações aconteceram contra atraso de pagamento de salários. Em 2012, esse percentual era de 24%, incluindo as greves do setor público.

Os rodoviários foram outra categoria a deflagrar movimentos, segundo levantamento do Dieese. Depois das manifestações de 2013, inicialmente provocadas para pedir melhoria nos transportes, os rodoviários intensificaram suas greves. Além das reivindicações salariais, os motoristas pararam em protesto contra a falta de segurança.

Das 2.093 greves registradas no ano passado, 52,5% foram no setor público das três esferas, que inclui administração direta, estatais e autarquias. A maioria se concentrou entre os servidores municipais. Nesse grupo, reajuste salarial foi a principal reivindicação. Perdendo apenas para os funcionários da administração direta, o magistério foi outra categoria a fazer mais paralisações. Muitas prefeituras não adotaram o piso nacional. O estouro da crise fiscal provocou greves gerais em estados, como no Paraná.

— Todas as categorias no estado pararam por atraso de pagamento.

Os terceirizados do setor público tiveram que cruzar os braços para conseguir receber salários atrasados. Enfermeiros e outros profissionais de organizações sociais de saúde são um exemplo. Esses profissionais também sofreram em instituições filantrópicas, de acordo com Dieese.

— Agentes comunitários de combate de endemias de saúde, que não são estatutários, são celetistas, também começaram a fazer greves, reclamando da falta de fornecimento de equipamento de proteção individual — afirmou Linhares.

Condições ruins de trabalho, falta de segurança e ambientes insalubres estiveram em 16% das pautas de reivindicações.

140 MIL HORAS PARADAS

Categorias historicamente mais organizadas, como metalúrgicos e bancários, também paralisam as atividades em 2016. Na metalurgia, foram 181 movimentos, o maior número na indústria. A paralisação de grandes obras levou a 55 greves na construção civil. Nos serviços, foram 702 paralisações, a maioria do âmbito privado, que registrou 986 greves. Motoristas, terceirizados e bancários foram as categorias a parar.

O setor de serviços também respondeu pelo maior número de horas paradas nas empresas privadas. Foram 36 mil horas. Porém o funcionalismo público concentrou o maior número de horas paradas. Das 140.3214 horas, o setor público respondeu por 74% desse tempo de suspensão de trabalho. As paralisações foram rápidas: 81,8% acabaram com até dez dias. As que duraram apenas um dia responderam por 46,8% dos movimentos.

Fonte: O Globo

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